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16.11.2010

Coluna de Reginaldo Tavares de Albuquerque

Desejo de boa sorte!

A democracia brasileira está definitivamente consolidada. As eleições gerais desse ano demonstraram o nível de amadurecimento de uma sociedade que há 25 anos experimenta o exercício soberano do voto, escolhendo seus representantes, de forma livre e autônoma. Duas novidades ascenderam esse ano, fruto da decisão hegemônica da população: pela primeira vez, um presidente que chegou ao poder pelo voto popular consegue eleger uma candidatura de continuidade do mesmo partido; pela primeira vez, na história do Brasil, uma mulher assume o comando da Presidência da República.

A eleição de Dilma Roussef é um marco histórico para o país. Dilma Vana Rousseff já teve muitas vidas, muitos nomes e muitos projetos de vida. O que ela nunca imaginou é que seria a primeira mulher brasileira a conquistar, pelo voto, o mais alto cargo da República, até agora ocupado só por homens. Muita gente, dentro e fora do governo, também achava que isso seria impossível: embora a política tenha marcado toda a sua vida, Dilma nunca havia disputado antes uma eleição. A ascensão da ex-ministra é a confirmação do prestígio do governo e, sobretudo, da figura do presidente Lula, reconhecidamente um dos maiores líderes da história contemporânea desse país.

Em sua edição desta semana, a revista britânica The Economist, uma das mais influentes do mundo, analisa os desafios que a presidente eleita Dilma Rousseff terá de enfrentar quando assumir o mandato, em 1º de janeiro. “Dilma, que nunca antes ocupou um cargo para o qual tivesse sido eleita, terá de mostrar agora se será uma mera representante de Lula ou uma líder por si própria”, afirma a publicação. Aliás, mais que isso, a nova presidente terá o desafio de comandar uma nação ávida por mais resultados, notadamente nas áreas econômica e social, ampliando os atuais resultados, consolidando políticas de governo e estabelecendo novas alternativas de desenvolvimento.

A despeito de uma ameaça de “duplo mergulho” na recessão mundial e da guerra cambial, o próximo mandato presidencial, para o período 2011-2014, deve contar com condições iniciais muito favoráveis. A probabilidade de uma grande catástrofe recessiva, mesmo que exista, é pequena. A economia tem condições de continuar crescendo, com geração de emprego formal, valorização da economia solidária e da tecnologia social, redução do desemprego, diminuição da pobreza e das desigualdades e continuidade da mobilidade social ascendente.

As projeções do FMI e da Economist Intelligence Unit (EIU) mostram que o PIB Brasileiro deve continuar crescendo acima de 4% ao ano. As condições demográficas são as mais favoráveis da história. É raro um governo ter início com um quadro econômico tão promissor à sua frente. Todavia, o Brasil tem muitos problemas históricos que, se não solicionados adequadamente, podem comprometer as perspectivas futuras do bem-estar e da redução da pobreza. Doravante, em que pesem os cenários, a corrupção continua espalhada, como “uma erva daninha”, que suga as forças vivas na nação.

Assim, o próximo governo precisa ter firmeza para fazer uma boa gestão e enfrentar os diversos desafios que podem impedir que o Brasil decole rumo a um país mais próspero, com inclusão social, maior bem-estar e menores desigualdades. A erradicação da miséria absoluta deve ser o objetivo primeiro das políticas públicas. Neste sentido, investimentos em educação, saúde e segurança também se mostram prementes, além, claro, da temática meio ambiente, tendo em vista a excelente votação de Marina Silva, no primeiro turno.

Portanto, esse é o cenário que vislumbramos para a nova presidente, responsável a partir de janeiro de 2011 pela condução de nossos destinos. O Brasil assim optou, renovando a confiança num projeto que há oito anos se estabeleceu, reforçando o desejo e a expectativa de dias ainda melhores. Boa sorte, presidente Dilma Roussef.


 

ÚLTIMOS COMENTÁRIOS

Paulo Cosme disse:

30 de November de 2010 às 19:07

não votei nela mas desejo tb boa sorte.


Tania Maria disse:

30 de November de 2010 às 19:07

parabens pelo comentario, bastante lucido.



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