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29.06.2010

Coluna de José Juvêncio de Almeida Filho

COMO A UNIMED CHEGOU AO NORDESTE

Quem vê a invejável estrutura organizacional que grande parte das UNIMEDs do Norte/Nordeste ostentam nos dias de hoje, certamente há de se perguntar como foi possível um segmento como o de Trabalho Médico crescer e se consolidar numa região do Brasil onde a prática do Cooperativismo sempre foi mais voltada para a agricultura e a pecuária, as chamadas atividades rurais.

Tudo começou em João Pessoa e, como deve ter acontecido com todos os empreendimentos vitoriosos, também houve o enfrentamento de dificuldades que exigiram esforços e muita dedicação do grupo pioneiro.

Partícipe dos primeiros momentos de existência de nossa Unimed, a primeira a  ser instalada na região, sinto avultar sobre a dureza daqueles dias e o notável progresso de hoje, a figura ímpar de seu fundador e primeiro Presidente, nosso saudoso colega Alberto Urquiza Wanderley.

Em 1972, decorridos poucos meses de minha volta de São Paulo, onde cumpri Residência Médica durante 2 anos, recebi uma visita noturna de Alberto com o convite para participar não somente da fundação da Cooperativa, mas também ocupar um cargo em sua primeira Diretoria. A convicção e a segurança do colega oftalmologista eram tão fortes que inibiram qualquer reação de recusa de minha parte.

Alugamos a primeira sede, uma casa muito antiga, na Rua Santos Dumont, uma daquelas que vindo da Pedro I desembocam na Lagoa. Alí, nos reuníamos todas as tardes: Alberto, D. Lourdes, que viria ser gerente e responsável pela Contabilidade, Nivaldo Silveira, primeiro a exercer a função de Relações Públicas e eu. Foi impressionante o ritmo com que o volume de nosso trabalho começou a se elevar, tudo em decorrência da obstinação e capacidade que Alberto detinha para fazer contatos e divulgar a Unimed.

Numa quinta-feira, conversava com os cardiologistas João Cavalcante e Marco Aurélio Barros, meus companheiros de Diretoria, quando o Presidente Alberto surgiu, agitado e pletórico, como sempre. Pinçando o vinco do colarinho com o polegar e o indicador de cada uma das mãos e puxando-o para cima num movimento único e vigoroso (esse era seu tique, sua marca registrada) foi logo decretando:

    - Segunda-feira vou botar a Unimed na rua!

De nada adiantou a nossa ponderação de que era muito cedo e devíamos  insistir mais nos preparativos. No início da semana seguinte, ele despachou Nivaldo para o corpo a corpo com o empresariado. Duas semanas depois, na sala da Presidência do Banco do Estado da Paraíba, que ainda não era o hoje liquidado Paraiban, assinávamos o primeiro grande contrato da Unimed.

Alberto não era de fazer as coisas de orelhada, como se costuma dizer. Quando se propôs a implantar uma Cooperativa de assistência médica, passou a estudar exaustivamente a Doutrina Cooperativista. Se a maior experiência brasileira em Cooperativismo Médico estava em Santos, foi para lá que se mandou, retirando do próprio bolso os recursos para custeio de passagem e hospedagem. Voltou íntimo de Edmundo Castilho que, justiça se faça, foi o idealizador e responsável pela implantação do modelo no Brasil. Estabeleceu, a partir daí, um intenso intercâmbio com a pioneira Unimed santista e, dentro em pouco, era o próprio Castilho quem lhe telefonava com freqüência para trocar idéias ou simplesmente ouvir a sua opinião.

Vocacionado para uma liderança que já se fazia notar no tempo da Faculdade, quando teve destacado desempenho como Presidente do Centro Acadêmico Napoleão Laureano, Alberto elevou, em pouco tempo, a Unimed-João Pessoa à condição de Cooperativa modelo da região. Não tardou e começamos a receber visitas de colegas de Natal, Recife e Fortaleza em busca de know how, ou, em outras palavras, de  aprender com Alberto como se fazia uma Unimed. Depois de ajudar a estruturar as Unimeds vizinhas, Alberto partiu para a concretização de outro sonho: a Federação das Unimeds do Nordeste. Fundou-a e foi seu primeiro Presidente.

Impregnado de tanto Cooperativismo, Alberto decidiu aplicar em seus negócios particulares a experiência acumulada. A morte veio encontrá-lo à frente da Cooperativa Rural de Patos que certamente recebeu dele o revitalizante impulso de seu dinamismo.

Tudo o que aqui foi relatado me veio à lembrança na fila de um banco, onde encontrei Ana Tereza, viúva de Alberto. Trocamos um rápido cumprimento e enquanto ela fazia seus acertos bancários fiquei a observá-la com respeito e admiração, imaginando que naquela criatura pequenina e até frágil na aparência, deveria se esconder uma mulher extraordinária que, pelo afeto e devotamento, muito estimulou o gigante que Alberto foi em vida para a consolidação de sua grandiosa obra.


 


 

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